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Superação

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Superação I – Por Mô

Vocês lembram que no começo da semana dei a ideia de começarmos a fazer posts com textos de superação né? Vocês, lindas como sempre, já começaram a mandar email e eu decidi que vamos começar essa semana mesmo 🙂
O primeiro post é esse e é a história da Momô, Mônica Riva, uma querida que virou amiga e sempre estamos em contato com ela.
Vamos lá?

Minha história não tem a ver com ser alta, baixa, gorda, magra, mas é direcionada às meninas que engravidam antes da hora e acham que o mundo acabou, pensam em tirar o bebê, essas coisas…
Digo antes da hora porque acho que ninguém deveria ter filhos sem ter planejamento e estrutura, MAS como não é bem assim que as coisas acontecem, né…
Comigo também aconteceu.
Namorava com meu primeiro namorado há 4 anos já, mas confesso que nunca fui muito ligada nesse negócio de prevenção. Se hoje em dia ainda existe tabu dentro de casa pros pais conversarem com os filhos sobre sexo e prevenção, imaginem há 15 anos atrás.
Em casa não era diferente. Minha mãe nunca me perguntou nada, nunca teve iniciativa de me levar ao ginecologista quando soube que eu estava namorando e nunca se interessou.
As vezes a gente se previnia, as vezes não… sabem como é, né, aquele fogo no rabicó dos 18 anos e tals hehehe
Enfim, acho (tenho certeza) que minha mãe pensava que as coisas só aconteciam com os outros né. Acho que isso é com todo mundo, todo mundo pensa assim, até que acontece com a gente.
Eu fazia faculdade, tava começando o último ano já, tinha um emprego ótimo, mas não tinha cabeça. Coisas da idade.
Quando descobri que tava grávida (tinha 20 anos), minha primeira reação foi obviamente ‘não acredito, só pode ser brincadeira’. Até que a menstruação não desceu por 1 mês, por 2… e aí bateu o desespero. Tirar? Nem pensar, o jeito era… tentar dar um jeito hehehe
Claro que não disse pros meus pais, não era louca (ainda mais que eles odiavam meu namorado)! Então peguei o nome de uma médica que uma amiga minha frequentava e lá fui eu ver o que tava acontecendo. De cara ela falou que eu tava grávida.
Aí bateu o desespero: como contar?
Não contei… Eu, no auge da minha esperteza, inventei uma história mirabolante, que ia morar numa república (a faculdade era em outra cidade) pra ficar mais perto da facul e do trabalho, entre outras tolices. Catei minhas coisas e me mandei pro cafofo que meu namorado estava construindo (sozinho) num terreninho que ele tinha ali mesmo na minha cidade, que era só de blocos, 1 cômodo que servia de quarto, cozinha e tinha um banheirinho ali separado. Sem reboco, sem luz, sem água quente, com telhas brasilit… pensa esse forninho em pleno verão como era ¬¬
Sei que muitas pessoas vivem assim, mas sair de uma casa onde se tinha tudo e uma vida de princesa pra ir morar num cafofinho desses, só podia ser muito amor (ou muita burrice né)
Durante 2 meses eu vivi assim… namorado saía pra trabalhar e eu passava meu dia trancada em casa, (porque ninguém podia me ver, pra não correr risco de contarem pra minha mãe que eu tava ‘de barriga’) e nos dias muito quentes, enchia uma baciona de água, colocava no banheiro e ali ficava me refrescando… já imaginaram a cena?
Mas, como em cidade pequena todo mundo cuida da tua vida, né, tive a ‘sorte’ de ser vizinha (sem saber) de uma ex empregada lá de casa. E não é que a fulana deu com a lingua nos dentes pra minha mãe? Foi assim que ela descobriu que eu continuava na cidade, e que estava grávida.
Lógico que ela foi me buscar, foi aquele drama, minha tia serviu de mediadora, e assim fomos morar nos fundos da casa dela.
Pra piorar a situação, as coisas entre eu e o meu namorado não iam nada bem… não vou entrar em detalhes, mas tudo foi piorando até quando meu filhote tinha 2 meses, depois que brigamos e o botei pra fora de casa.
Ele nunca quis saber do filho (sim, ele registrou a criança), assim como ninguém da sua família, e nunca pagou 1 centavo de pensão. Eu também nunca procurei, porque não queria uma pessoa que no auge da briga disse que iria procurar os direitos como pai, não pra ver o filho, mas sim pra atormentar a minha vida. Foi uma escolha minha, dolorosa, mas que não me arrependi em nenhum momento.
Abri mão da minha vida pra cuidar sozinha do meu filho. Morava com meus pais, mas não pensem que eles ficavam com o menino pra eu sair em baladinha, namorar e o escambau, como acontce com muita menina. Não nos faltava nada, mas indiretamente era ‘o filho é teu, quem tem que cuidar é você’.
Minha vida foi assim até Mateus ter uns 3 anos e começar a ir pra escolinha. Só aí pude arrumar um emprego e voltar a trabalhar.
Namorado? Só arrumei um quando ele já tinha uns 5 anos, e porque conheci pela internet, porque eu ainda não saía de casa à noite (esse acabou virando meu 2º ‘marido’ digamos assim. Fomos morar juntos, mas nossa história só durou uns 4 anos).
Sair de finais de semana, à noite com as amigas, só quando ele já tinha uns 10 anos, já se virava sozinho e não precisava pedir nada pros meus pais. Mesmo assim, era uma luta.
O que eu fiz em todo esse tempo pra não enlouquecer? Eu estudava sozinha em casa, no meu tempo livre. Viajava sozinha e com o filhote, mochilando, e trabalhava. Trabalhava muito pra poder viajar (meu único prazer que nunca abri mão), bancar escola e tudo mais pra ele.
Nunca fomos ricos, mas trabalhando duro (horas extras e mais horas extras com chefe estressado enchendo o saco 24h por dia) e abrindo mão de algumas coisas (não tínhamos carro, por exemplo), viajei pro exterior 3 vezes, conheci países e culturas diferentes.
Dois anos atrás conheci meu marido. Na verdade, ele me conheceu, pela net também. De uma amizade (com muitas coisas em comum) aos poucos nasceu o amor. Eu no Brasil, ele na Itália. Milhares e milhares de emails trocados, webcams, sms, chamadas via skype, fuso horário com 5h de diferença, tudo era bem complicadinho.
Mas quando uma coisa é pra ser, ela acontece… ele foi pro Brasil pra me conhecer (e conhecer o filhote, né, porque filhote tinha que aprovar), passamos um mês maravilhoso juntos, mas ele voltou e eu fiquei. Depois de uns meses eu o pedi em casamento hehehe e ele aceitou. Um ano depois de nos conhecermos, nos casamos no Brasil, com direito a familia italiana cantando no cartório e uma lua de mel em conjunto (filho e família do marido), mas nada importava. Apesar de estar passando por um turbilhão de problemas na época, a única coisa que me importava era que FINALMENTE eu estava feliz. Depois de 15 anos eu tinha reencontrado a felicidade.
Mesmo assim, depois de casados, ele voltou pra Italia e eu fiquei, pra acelerar os papéis pra irmos legalmente morar lá.
Sabem qual foi a grande ironia nessa história toda? Que precisei procurar o pai do meu filho pra pedir que ele assinasse a permissão pra ele morar no exterior (vocês sabem que pra sair do país precisa da permissão de ambos os pais né) e nem assim ele se interessou em conhecer o menino (que já é um homem). Isso só confirmou que fiz a escolha certa na época. Se por acaso eu tivesse feito uma escolha diferente em qualquer hora da minha vida, hoje talvez eu não estaria aqui, contando essa história pra vocês, morando na Italia, finalmente com uma família feliz.
Quando eu larguei o pai do meu filho, eu achava que nunca ninguém ia me querer por eu ser mãe solteira, por estar feia, fora de forma (complexada ao máximo eu era). Eu fui muito revoltada por muito tempo, achava tudo muito injusto comigo, que eu não merecia passar pelo que eu estava passando.
Hoje vejo que com persistência e paciência a gente consegue tudo. Meu filho é meu maior presente, meu melhor amigo.
Quando a gente tem filho, a gente encontra forças pra enfrentar tudo, mesmo achando que os problemas não terão solução. Sim, a gente consegue!
Eu acredito quando falam que ‘quando Deus fecha uma porta, ele abre uma janela’. Pode demorar, pode ter sofrimento, pode ter pedra no caminho, mas o que está reservado pra gente uma hora chega. Portanto, se você está passando por um problema parecido, pense que muitas outras pessoas passam pela mesma coisa, ou já passaram.
Pode ser que agora seja um turbilhão na tua vida, mas tenha certeza que na hora certa as coisas irão se ajeitar. Demora, mas se ajeitam. Eu sou prova viva disso.
Beijos girls

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