Superação

Superação IV – Por Karen Morais

Essa semana o post “Superação” é com uma amiga, que tive o prazer de conhecer esse ano e me aproximar cada vez mais, e que faz parte do blog Detalhes de Diva, Karen Morais.

Em casa sempre tivemos cachorro, não me lembro de nenhum período da minha vida sem um melhor amigo no quintal, abanando o rabo quando me via. Acho que um dos cachorros mais marcantes em casa foi o Shazan, um fila brasileiro, lindo e tigrado, super carinhoso e mansinho com os donos, ele era nosso xodó, embora grandão e desajeitado. Mas uma terrível infecção renal o levou embora, aos 4 anos. E eu tão novinha, tinha próximo aos 12 anos, chorei e sofri muito. Eis que meu pai não agüentava mais me ver chorar, foi e comprou outro cachorro pra mim, eu queria um igualzinho o Shazan, mas me convenceram do contrário na hora da compra. Peguei sim, outro fila brasileiro, mas dessa vez preto, lindo, forte e esperto. Demos a ele o nome de Apolo, e como ele cresceu! Ficou muito grande e forte demais em pouco tempo de vida.

No domingo de páscoa, daquele ano, ganhamos muitos ovos. E na segunda-feira ainda existiam muitos ovos esperando por mim (eu sempre fui a pessoa mais chocólatra do mundo), eu cheguei da escola ansiosa para comê-los. Almocei e fui colocar comida para o cachorro, ele super estabanado, babou na minha mão, eu dei um gritinho de nojo, coloquei o prato no chão e fui lavar a mão no tanque, enquanto isso o cachorro estava comendo desesperado. Ao voltar me abaixei peguei o prato no chão e fui colocar o restante da comida na vasilha dele. Quando de repente senti algo assustador vindo em minha direção, me lembro muito pouco do que senti, apenas me lembro que gritei, gritei muito, muito mesmo, ao ponto de ver os vizinhos trepados no muro para ver o que estava acontecendo, e fui para o tanque lavar o meu rosto. Minha mãe veio correndo e mandou o cachorro para a casa dele, aí sim eu entendi, ele havia mordido o meu rosto. Rosto esse que aos 11 anos, eu tratava com a dermatologista para não ter espinhas.

A casa ficou cheia de sangue, peguei um lençol, coloquei no meu rosto e fomos pro pronto socorro mais próximo, eu só conseguia chorar e gritar. O curativo foi feito e eu fui pro hospital do convênio, levar os pontos no rosto. Lembro-me que a maior preocupação de todos era a cicatriz que ficaria. Levei os pontos e fui pra casa, meu rosto inchou, ficou enorme, e só escorria pus, e a pior parte: não poderia comer chocolate por um longo período, com todos aqueles ovos de páscoa espalhados pela casa. Eu fazia troca de curativos todos os dias no hospital, até que um dia a enfermeira chamou o médico para avaliar, e o mesmo me deu notícia: ficaria internada. Eu já estava tomando o antibiótico oral mais forte que podia, e a infecção não cedia e estava cada dia pior. Fiquei 7 dias internada, lembro que tinha muito medo de morrer, afinal os médicos não explicavam nada direito. O espelho do banheiro ficava coberto por um pano, para que eu não visse meu rosto. A internação, embora dolorida, foi muito amável, as enfermeiras eram um amores, e como eu gostava de crianças, fiquei na ala da maternidade, sempre ia ver os novos bebês. Tenho algumas lembranças boas
da internação, alguns amigos e parentes foram me ver, me fazer companhia e dar apoio. Outros parentes foram me ver só para sentirem pena e ver como eu havia ficado monstruosa. A infecção cedeu, e meu rosto foi voltando ao normal e tiraram o pano do espelho do banheiro. Saí do hospital e ainda fiquei alguns dias em casa, tendo que ir ao hospital tomar a medicação. Quando voltei para a casa, todos os chocolates da páscoa estavam intactos, ninguém comeu um só pedaço, o cachorro também estava em casa, foi orientado que ficasse alguns dias em observação para ver se não havia contraído raiva. Tive que encará-lo, lembro-me do olhar de piedade dele.

Após tudo isso, algo maior me esperava: À volta para a escola! Todos sabiam da internação, e estava um bafafá sobre o quão “monstra” eu havia me tornado. Lembro que nessa época, me olhei no espelho, vi o rosto que sempre tive tanto zelo com algo diferente. Mas pensei: ou eu me entrego e sofro, ou continuo firme. Decidi continuar firme. Fui para a escola com medo da zuação, mas fui bem recebida, os amigos me deram muito apoio, eles foram muito importantes na época. Disseram que a cicatriz era um charme, que era uma marca única. Senti-me bem melhor, e aprendi a conviver bem com isso, ainda tenho a cicatriz, mas é algo pequeno, e poucas pessoas inconvenientes me perguntam o que é. Geralmente passa sem chamar muita atenção. Tive algumas oportunidades de fazer plástica para minimizar a cicatriz, mas optei por não mexer (tenho medo de agulha! Haha).

O cachorro foi entregue a um canil que treina cachorros pra polícia, e em troca peguei uma cocker linda e serelepe, que já está em casa há 11 anos e é extremamente amorosa comigo.

Hoje faço parte de um blog de beleza, sei que não sou o padrão de beleza da sociedade (afinal, além disso, sou baixinha), mas o que busco é me sentir bem e encontrar a beleza que me deixa feliz! O que tiro disso tudo? As imperfeições e imprevistos fazem parte da vida, e nos fazem mais fortes, maduras e autenticas, pois através delas aprendemos a lidar com situações difíceis. Se você não está contente com algo na sua vida e tem condições, mude. Você não é obrigada a conviver com o que não gosta.
Mas a pergunta é: quem não gosta? Você ou o padrão social que é imposto pra gente?

Beijos

Karen

Quem quiser ter sua história publicada aqui no blog é só enviar um email para tpmmoderna@gmail.com com o assunto Superação contando sua história de superação 🙂

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